quinta-feira, outubro 30, 2003

QUE SAUDADES DO "AGENTE AMERICANO"!

Noticia-se hoje que «Portugal perdeu seis lugares, desde há um ano apenas, na classificação dos países europeus no que ao potencial de crescimento diz respeito». Isto é gravíssimo pois Portugal é o segundo país, senão o primeiro, menos desenvolvido da União Europeia.

Virão certamente os "anestesistas" do Governo e seus apoiantes desvalorizar esta notícia dizendo que «isso não é grave» pois Portugal encontra-se, mesmo assim, à frente da França e da Itália nessa mesma classificação.

É uma treta este tipo de defesa. Porque a França e a Itália já são suficientemente adultas e desenvolvidas para não terem grande potencial de desenvolvimento.

Isto é como em biologia: é grave sabermos, por exemplo, que uma criança de quatro anos não está a crescer; e não há gravidade nenhuma, sendo mesmo natural e esperado, que um adulto de cinquenta anos não cresça.

Portugal é a criança cujo potencial de crescimento diminuiu; a França é o adulto que já está crescido e que por isso não tem grande potencial de crescimento.

A verdade é que o país patina e a economia definha enquanto o Governo vai fazendo truques de ilusionismo com o Orçamento. Tudo porque o maior partido da oposição deixou de fazer política e entregou-se de alma e coração à defesa de Paulo Pedroso.

Que saudades de Mário Soares, que considerávamos "o agente americano" nos tempos do PREC, homem que ensinou a todos como se deve fazer oposição.

quarta-feira, outubro 29, 2003

CÃO DE NOME COBARDE PARA JORNALISTAS?

O Diário de Notícias de hoje faz este relato chocante:

«O primeiro-ministro regressa hoje de Angola com uma nova crise em mãos para resolver. Os ministros do Ambiente e da Agricultura estão de costas voltadas por causa da eventual transferência da tutela das áreas protegidas do Ministério de Amílcar Theias para o de Sevinate Pinto. Theias assumiu ontem aos jornalistas que foi «apanhado de surpresa» com essa possível transferência (que admitiu estar em cima da mesa), à qual se opõe, e passou ao contra-ataque. Afirma que se trata de «uma cedência a interesses particulares». «O Estado tem de ser forte, a política não pode ser apenas uma gestão de interesses particulares», disse.»

A ser verdade o que se diz no DN (e eu não tenho nenhuma razão para duvidar), temos então agora uma prova mais que clara de que o Governo de Portugal (com o dos outros podemos nós bem) tem governado e está a governar cada vez mais para satisfazer interesses privados.

É um ministro que levanta esta lebre, a enfeita, a engalana e a faz correr para que não tenhamos a menor dúvida de que assim é: governa-se para os privados; o povo que se lixe.

Eu tenho batido, aqui neste blogue, na tecla do descalabro que vai ser a privatização da Saúde em Portugal. E verifico, estupefacto - não pelo facto de não me ouvirem (não é disso que se trata - quem sou eu?) -, que apenas o Senhor Presidente da República se preocupa com este magno problema.

A própria comunicação social está-se nas tintas para o problema. Não sei se porque quem paga não quer que se fale no assunto, ou se a razão é outra.

Facto é que a classe dos jornalistas, exceptuando uns quantos (bem poucos), é uma classe de profissionais mal pagos que experimentam dificuldades, senão no dia a dia, pelo menos no mês a mês; e apesar de estarem a sofrer os problemas na pele, os jornalistas ainda não acordaram para se debruçarem sobre o assunto.

Terão os senhores jornalistas tantos médicos amigos, assim, para que nem sequer a nível individual e familiar (ao menos a estes níveis) tenham ainda acordado para o risco que correm (e todos nós corremos) de o acesso aos cuidados de saúde passar a ser mais difícil e esses cuidados passarem a ser de menor qualidade ou mesmo de qualidade duvidosa?

Não viram ainda que as nuvens negras se encastelam no horizonte a cada dia, a cada declaração, a cada decreto, a cada portaria que saem do Governo?

De que é que estão à espera os senhores jornalistas para pegarem no assunto, investigarem e revelarem o estado em que está já, e o estado em que se quer transformar a Saúde em Portugal?

O medo já os tolhe? O chicote do patrão já os amedronta? E se não é disso que se trata, então porque é que estão calados?

Se é por medo comprem um cão e chamem-lhe Cobarde. Sempre é uma solução.
PORTUGAL ENCOSTADO ÀS BOXES

A vida parou no planeta Portugal. Todas as atenções (dos jornais às rádios, das televisões ao mais simples transeunte) vão para o julgamento de Carlos Silvino.

Ninguém melhor que Fernando Pessoa, digo, Bernardo Soares, para nos lembrar como somos grandes ou pequenos consoante as nossas sensações.

«A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nela, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida».

Tenham um bom dia.

terça-feira, outubro 28, 2003

POR PURA COERÊNCIA

Sem cortar o cordão umbilical entre o "Salmoura" e o África Minha, decidi retirar o link deste último do conjunto de links para blogues e colocá-lo mais abaixo com a chamada de atenção de que se trata de um álbum familiar. Acho isto mais honesto e liberta-me para poder trabalhar à vontade naquele álbum.

"África Minha" foi pensado para ser um blogue como outro qualquer, mas desde que começaram a entrar nele assuntos e fotografias de família vi logo que iria ter um carácter radicalmente diferente do que lhe quisera dar configurando apenas um álbum de família em vez de um verdadeiro blogue.

É devido sobretudo às hesitações por que tem passado o autor, entre fazer um blogue como prometera, ou fazer um álbum como está sendo feito, que o África Minha tem estado parado e sem assunto.

A partir de agora "África Minha" pode crescer sem constrangimentos pois assume-se como gato que é em vez da lebre que quisera ser.
FLASH BACK WILL IT BE BACK?

Ouvi António Lobo Xavier, um dos residentes do ex-programa Flash Back da TSF, dizer ontem numa entrevista a Maria João Avillez, na SIC Notícias, que está para breve o regresso do programa, no mesmo formato, só que talvez noutro meio (a televisão, supõe-se).

Não auguro grande audiência televisiva a um programa que vale em mais de 90% por aquilo que nele é dito e não por aquilo que nele pode ser mostrado.

O Flash Back, no seu formato conhecido, é um programa para se ouvir no carro, enquanto se viaja; na cozinha, enquanto se prepara o almoço de domingo; no jardim ou no quintal, enquanto se poda uma roseira ou se faz um churrasco. Nunca refastelado no sofá com os olhos pregados à pantalha onde quatro respeitáveis senhores opinam (sobre coisas interessantes, sem dúvida), analisam, vaticinam, etc.

Ou vencem, na rádio, quem lhes cortou o pio, ou então o que teremos será um espectáculo imageticamente pobre e incapaz de prender, por isso, o telespectador.

Por mim, tenho pena se vier a ser esta a solução.
EXPLICAÇÃO AOS LEITORES

Não é só a Marmeleira que é aldeia. Olivais Sul, em plena Lisboa, também, às vezes, é aldeia. Por isso Salmoura esteve estes dois últimos dias sem poder blogar devido a falta de sinal decente por parte da TV Cabo. Resolvido o problema, eis que retornamos à "linha", por enquanto sem qualquer novidade.

domingo, outubro 26, 2003

TSF E DN ATINGIDOS PELO MESMO MAL

Não sei bem se está suficientemente claro que os órgãos de informação que pertencem ao universo Lusomundo, nomeadamente o Diário de Notícias e a TSF, atingiram já um grau de transformação suficientemente consistente para que possamos classificá-los como degradados relativamente ao ponto de partida (a altura em que foram adquiridos pelo coronel Luís Silva), mas creio que não restam muitas dúvidas de que as "reestruturações" que têm sofrido determinaram já, de forma inequívoca, uma diminuição significativa da sua qualidade jornalística: através da fuga, do afastamento ou do despedimento de jornalistas; da diminuição do seu pluralismo ao se verificar o estreitamento do universo dos seus colaboradores; e da diminuição da sua independência e isenção pela submissão a estratégias de cariz maioritariamente economicista que passam, forçosamente, pela compra ou pagamento de favores a partidos políticos, autarcas poderosos, proto-candidatos presidenciais, tendo na mira a obtenção futura de condições vantajosas de influência junto do Poder com as inevitáveis contrapartidas económico-financeiras que esse tipo de conúbio sempre proporciona e exige.

Assistimos com espanto ao desaparecimento, da antena da TSF, do programa Flash Back (de qualidade indiscutível no panorama radiofónico nacional) e ao saneamento de Carlos Andrade, um profissional cujo currículo dispensa quaisquer elogios, que ocupava uma posição de Director na estação, sem que na tal "reestruturação" tenha surgido outro programa melhor ou sequer de qualidade sofrível.

No Diário de Notícias, depois de terem cessado algumas colaborações mais incómodas, noticia-se a "promoção" (com um pontapé para cima) de Mário Bettencourt Resendes, outro profissional que à semelhança de Carlos Andrade também dispensa quaisquer elogios.

Relativamente ao Flash Back, Pacheco Pereira informara-nos, há mais de um mês, que «em breve», neste Outubro que já está a findar, teríamos o programa, «com o mesmo formato e os mesmos intervenientes», noutra emissora. Como podemos ver (ouvir), isso ainda não aconteceu. Terão surgido dificuldades nas negociações, dificuldades essas que têm a ver com interferências tentacularmente poderosas por parte de quem os "despediu" da TSF e se mostra capaz de os manter calados "cortando" os fios dos microfones alheios?

No Diário de Notícias teme-se o pior quando vem para director um assessor do ex-ministro Martins da Cruz. Aqui a estratégia de que falámos acima é mais claramente cristalina no que à colagem ao Poder diz respeito.

No meio disto tudo quem fica a perder somos todos nós (a Nação). E fica claro que privatizar não é sinónimo de liberdade. Assim como estatizar também não o é.

Há que encontrar sempre um ponto de equilíbrio entre uma coisa e a outra.

É por isso que vamos avisando aqui neste blogue que a privatização da Saúde vai custar caríssimo à Nação pelo simples facto de que o que se quer é dar tudo aos amigos de tal forma que não haverá lugar para a existência do tal ponto de equilíbrio tão necessário para que exista liberdade, equidade, justiça e Direito(s).

Oxalá estejamos enganadíssimos da Costa e com os neurónios num fanico. Até rezamos a Deus, apesar de sermos incréus, para que assim seja. Amem.

sábado, outubro 25, 2003

NÃO DIGAM DEPOIS QUE NÃO VOS AVISEI

Aqui em O Espelho (chamo-o assim porque é onde algumas vezes nos revemos) podemos ler o seguinte:

«Em Hipocras 4, servir a comunidade, ser útil, não é uma prioridade para a maioria dos médicos. Primeiro está a sua comodidadezinha, o seu negócio. Que é isso de aceitar ser colocado na província? Que é isso de ser operado no meu hospital antes de deixar o dinheiro de algumas consultas lá no consultório que tenho na cidade? Que é isso de tratar das «pequenas» coisas – a vacinação de crianças, as bronquites, as queixas dos velhos?»

Isto que escreveu o autor dessa posta é uma caricatura a traço grosso da realidade actual, o que quer dizer que em parte da classe médica verifica-se algo de muito parecido mas nada de tão descarado e inumano. Mas caminha-se a passos largos para que esse traço grosso venha a ser no futuro a pura expressão da realidade. E porquê?

Porque toda a filosofia que está hoje a ser aplicada na política oficial de Saúde, desde o Governo Guterres, com Correia de Campos a ministro, em que o que interessa são os negócios que se podem fazer com a Saúde e os resultados de gestão que se querem obter (números, balancetes e dinheiro) - para o que à frente dos hospitais se colocam gestores vindos de fábricas de parafusos, de refrigerantes, de papel higiénico; de empresas de electricidade, de cimentos, de pasta de papel e por aí fora - em nítido e chocante desprezo pelos cidadãos doentes e pelos técnicos de Saúde, toda essa filosofia de privatização, privatização, privatização - em que os hospitais passarão a ser mega centros comerciais de assistência médica - só pode levar a que os médicos se sintam comerciantes, lojistas, feirantes, vendedores de "artigos" que podem interessar ao comprador necessitado e esqueçam de vez que houve um senhor chamado Hipócrates que deixou um texto lindo que ainda hoje se chama "O Juramento de Hipócrates", juramento este que hoje em dia já não compromete nenhum médico porque, simplesmente, deixou de ser exigido de há muitos anos nas Faculdades de Medicina - dizia eu - essa filosofia que os Governos estão a implementar à martelada para satisfação de clientelas bem conhecidas, vai de facto fazer com que a Saúde passe a ser encarada como mais um negócio banal e à sua volta se venham a fazer movimentos transaccionais de puro comércio em que de um lado estará o médico e os profissionais "produtores" de bens, e do outro lado estarão os doentes "consumidores" que terão que arranjar forma de adquirirem os "produtos" que lhes fazem falta e a que só terão acesso se tiverem dinheiro, seguros chorudos ou então crédito.

Caminha-se a passos largos (não sei se firmes - espero que não) para a perda do Direito à Saúde por parte dos cidadãos.

Esta é a maior batalha que os cidadãos enfrentam neste momento. E está nas mãos do senhor Presidente da República (que felizmente está sensibilizado para o problema) liderar por inteiro este processo. Porque se não for ele a interessar-se pelo assunto, o "Zé" estará positivamente tramado.

Não acreditem não, que ainda terão uma surpresa do caraças!

Este é um assunto que deveria estar na ordem do dia e só não está (para bem do Governo) por causa das porcarias em que chafurda a comunicação social, com as televisões todas à cabeça.

Entretenham-se com as «novelas» e o crédito barato que ainda se lixam!
ARNALDO JABOR DE NOVO

É simplesmente "imperdível" a última crónica de Arnaldo Jabor no jornal O Globo, do Rio de Janeiro.

«As coisas já mandam em tudo».
«A grande mentira da globalização poderá ser um movimento internacional, com as massas em busca de outros valores. Essa revisão crítica aconteceu nos anos 60/70 e poderá se repetir, se começar nos USA».

SALMOURA INSPIRA EDITORIAL DO PÚBLICO

Tudo leva a crer que José Manuel Fernandes, director do Público, leu a posta logo aqui em baixo, inspirou-se nela e escreveu hoje, no editorial daquele jornal, sobre a situação de Ferro Rodrigues aos comandos do PS e a decisão que sobre isso tomou a Comissão Política daquele partido, para terminar a sua análise escrevendo à la Salmoura: «A "liderança reforçada" de Ferro Rodrigues não é pois mais do que um exercício de hipocrisia e de cobardia política. Ferro foi aclamado como Balsemão era aclamado no PSD há 20 anos atrás, onde foi de vitória em vitória até à queda final».

Tenho que começar a cobrar direitos de autor. E, pelo sim, pelo não, vou começar por me inscrever na Sociedade Portuguesa de Autores.
HÁ FESTA RIJA NO PSD

Ferro Rodrigues – de vitória em vitória, até à derrota final – continua como líder do P.S. após reunião da Comissão Política do partido que votou maioritariamente a sua permanência no cargo.

Dizem que há festa rija na S. Caetano e que só não há fogo de artifício por causa do perigo de os foguetes originarem incêndios na capital.

Dizem ainda que António Vitorino mandou recado de que enquanto houver motim a bordo e o barco se mantiver atracado ao cais da Casa Pia não de disponibiliza a sequer admitir a hipótese de uma (des)promoção a comandante.

sexta-feira, outubro 24, 2003

O MISTÉRIO DA SIMPLICIDADE

Sabemos todos que os diversos aparelhos electrónicos que temos em nossas casas (televisor, rádio, computador, etc.) são constituídos por um grande número de variadas peças electrónicas: transístores, resistências, bobines, condensadores, etc. Imaginemos agora que alguém era capaz de construir um desses aparelhos utilizando apenas e só transístores; ou somente resistências; ou apenas condensadores.

No dia em que o homem for capaz de fazer algo semelhante terá descoberto o segredo do funcionamento do cérebro.

Como sabemos muito bem, o cérebro é constituído apenas por um único tipo de peça: o neurónio. Aos biliões.

Como é possível que uma máquina tão rudimentar tenha tantas e tão variadas funções?
A FRASE DO DIA

Aos 20 anos, Maria Eduarda Lemos era uma mulher vaidosa, bonita, aquilo a que vulgarmente se chama «um pedaço». Hoje, com 42 anos, já não faz parar o trânsito sem recorrer ao apito.

(Cesaltina Pinto in Visão de 23 de Outubro numa crónica sobre uma mulher-polícia)
UM NOVO BLOGUE SOBRE ARQUITECTURA

Salmoura foi convidado, visitou e gostou do novo blogue, Epiderme, sobre arquitectura. Mais um blogue desta área a somar a O Projecto e a enriquecer a blogosfera com novos pontos de vista e reflexões sobre a realidade e a vida. Gostámos sobretudo da posta "O Corpo Errado". E damos os parabéns a Pedro Jordão por esta iniciativa.
BOM DIA

O trablho, sempre o trabalho a dificultar a blogação.
Há novidades na blogosfera de que falaremos neste fim de semana, mas só amanhã. Não há tempo agora.
Tenham um bom dia de trabalho ou lazer.

terça-feira, outubro 21, 2003

A MAIOR CRISE DO REGIME?

Qualquer cidadão responsável que tenha seguido com atenção as declarações que o senhor bastonário da Ordem dos Advogados acabou de fazer há pouco no Jornal 2 da RTP tem razões de sobra para ficar profundamente preocupado com o estado a que chegou o Regime Democrático em Portugal.

O senhor bastonário foi claríssimo quando declarou que há instituições respeitadas que deveriam ser respeitáveis e que andam a praticar «autênticas garotices» no que ao seu funcionamento e ao funcionamento do Estado de Direito diz respeito. E ele só não foi mais claro porque não o podia ser: subentendia-se que estava a falar da investigação policial, do Ministério Público e da Procuradoria Geral da República.

Isto são declarações de uma gravidade extrema que não podem deixar de preocupar o mais simples dos cidadãos.

Na linha do meu (mau) estilo eu já ia trazer à colação o que se tem passado na Guiné-Bissau. Mas calo-me e não caio na tentação de o fazer porque acho que tenho o dever de pensar preocupadamente sobre de que forma é que eu, cidadão que me considero responsável, devo agir no sentido de contribuir para que haja uma solução para tudo isto e não se continue a seguir o caminho de degradação das instituições como ora se verifica.

Penso que terá de haver ao menos formas de intervenção cívica que podemos ter para dar o nosso contributo para a solução dos problemas focados. Porque, a não serem resolvidos a tempo, temos todas as razões para temermos pelo futuro dos nossos filhos.
JUSTIFICAÇÃO PACÓVIA HABITUAL

Este é o País onde tudo o que acontece "não acontece bem assim".

Noticia a TSF on-line:

«Imprensa portuguesa está menos livre»
«Portugal caiu 21 lugares na escala da liberdade de imprensa elaborada pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), numa tabela onde é ultrapassado por países como Trinidade e Tobago, Letónia, Nova Zelândia, Jamaica e África do Sul.»

«Contactado pela agência Lusa o presidente do Sindicato de Jornalistas, Alfredo Maia, desdramatizou os resultados do estudo dos Repórteres Sem Fronteiras, pois «não são conhecidos os critérios do estudo».


Estou a ver Alfredo Maia a entrar na redacção do jornal e a dizer aos colegas: fui hoje ao urologista e o tipo, pá, depois de me submeter a uns exames, disse-me que tenho um cancro da próstata.

Observa-lhe então um dos colegas: e dizes isso, assim, sem a menor preocupação, como se nada fosse?

Ao que Alfredo Maia lhe responde: o que é que queres, pá. Achas que devo acreditar? Eu não conheço os critérios em que o gajo se baseou para fazer o diagnóstico!
O MEDO

Fiquemos hoje com este quadro de Gauguin (que vem mesmo a propósito nestes dias em que pairam fantasmas sobre Portugal) para nos lembrar a existência do medo dos demónios mas também para nos dar a fruir a imagem da beleza e da sensualidade de um corpo feminino.

Spirit of the Dead Watching

Gauguin (1892)

Gauguin descreve no seu diário o incidente que o inspirou para pintar este quadro: de regresso a casa, a altas horas da noite, acendeu um fósforo e viu sua mulher, Tehura, imóvel, nua, deitada sobre o ventre com os olhos abertos de medo. «Ter-me-á tomado por um dos demónios ou espectros que lendariamente costumam visitar os Tupapaus nas noites de insónia?», pergunta o artista no seu diário.

domingo, outubro 19, 2003

ESCATOLOGIA ANIMAL A SÉRIO

Jorge Nunes, com e-mail sedeado na Universidade de Évora, que suponho especialista no assunto, escreveu-me a propósito da "POSTA ESCATOLÓGICA" em que eu falava do cocó de coruja.

Esclarece-me esse especialista: «Pela discrição que faz, não me parece que seja "cocó", mas antes uma plumada, ou seja o produto da regurgitação dos materiais que a coruja não é capaz de digerir, como pelos ossos, escamas, etc.»

Agradeço, por mim e pelos leitores interessados no conhecimento dos animais. E já agora declaro que sou "especializado" em felinos domésticos – gatos, em resumo. Tenho dois persas azuis-fumados, inteligentes mas com certas manias de que falarei mais tarde.
AH GRANDE CAMARADA MARCELO!

Confirmando o domínio da Esquerda na comunicação social, hoje à noite, nos seus comentários na TVi, Marcelo elogiou Durão Barroso pelo facto de, nas negociações com Bruxelas, Portugal ter conseguido, para a produção leiteira dos Açores, «aquilo que o governo anterior já tinha conseguido mas se corria o risco de não se continuar a ter».

Eu traduzo:

Durão Barroso é felicitado por Marcelo por ter conseguido que os Açores mantivessem a mesma cota de produção de leite que já tinham.

Grande proeza, sim senhor. Venham de lá esses ossos, camarada!

Nota: Esta é uma pequena amostra do tipo de manipulação que os comentadores de telejornais costumam fazer para propagandear o Governo mesmo quando este está paralizado ou faz asneira grossa. E depois aparecem, aqui pelos blogues, cabecinhas loiras a dizer que a Esquerda domina a comunicação social.